
TRANSMISSÃO DA GRIPE SUÍNA
A gripe suína é transmitida como qualquer outra gripe, através de secreções respiratórias e das mãos. O primeiro caso foi transmitido através de um porco, porém a epidemia se dá pela transmissão de humano para humano.
Não há riscos de contaminação pela carne do porco. O vírus não sobrevive ao processo de cozimento.
Como a epidemia é muito recente ainda, não se sabe bem o período de incubação, nem durante quanto tempo a pessoa contaminada transmite o vírus. Acredita-se que os dados sejam semelhantes às de outras gripes causadas por outras cepas do A(H1N1), com transmissão indo do dia anterior ao surgimento dos sintomas até 24 horas após a resolução da febre, e um período de incubação de 1 a 7 dias.
Portanto, a atual recomendação da OMS para aqueles com sintomas gripais é quarentena até 24 horas após resolução dos sintomas (febre), para evitar contágio de outras pessoas.
O uso de máscaras tem sido muito difundido na população, já sendo possível observar algumas pessoas andando na rua vestindo uma. Não há indicações de que máscaras comuns efetivamente protejam contra a infecção pelo H1N1. As máscaras comuns após algum tempo ficam úmidas devido a respiração e transpiração, perdendo completamente a sua capacidade de proteção.
O seu uso deve ser restrito a profissionais de saúde em contato com doentes e pessoas do grupo de risco que tenham familiares doentes no mesmo domicilio. Pessoas contaminadas devem usá-la, caso consigam tolerá-la.
O vírus pode ficar vivo em objetos inanimados por até 8 horas. Uma simples limpeza com sabão ou detergente é suficiente para matá-lo. Piscinas não transmitem o vírus devido a presença de cloro.
Como prevenção deve-se:
Evitar contato próximo com pessoas contaminas (pelo menos 2 metros).
Evitar contato direto das mãos com olhos e boca sem antes as terem lavado.
Lavar as mãos frequentemente.
Evitar ficar em ambientes com pouca circulação de ar e com muitas pessoas.
SINTOMAS DA GRIPE SUÍNA
O quadro clínico da gripe suína é muito semelhante ao da gripe comum, com febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dores musculares. A única diferença é que pode ocorrer também diarréias e vômitos, o que é pouco comum na gripe simples.
Nas crianças pequenas e nos idosos, grupo de risco para as complicações, os sintomas podem ser menos típicos, ocorrendo apenas febre e letargia.
A febre é o sintoma mais importante para o diagnóstico.
Se não há temperaturas maiores que 37,5ºC praticamente exclui-se o diagnóstico de gripe suína.
As complicações da gripe suína são as mesmas da gripe comum. A principal é a pneumonia e a SRAG, que costuma ser a causa de morte naqueles que evoluem mal.
Ao contrário dos resfriados, a gripe é uma infecção que evoluiu muito rápido. Em questão de 24-48 horas o doente já apresenta todo o quadro clínico.
Pessoas que voltam de viagem de países com altos índices de contaminação devem ficar atentas aos sintomas por pelo menos 10 dias após o regresso. Não há necessidade de quarentena se não houver sintomas, nem mesmo para aqueles que tem familiares doentes em casa.
Quais são os sinais de gravidade ?
- Dificuldade respiratória
- Dor torácica para respirar
- Pressão baixa
- Alterações da consciência
- Desorientação
- Vômitos persistentes
É importante perceber que quando falamos em grupo de risco, nos referimos aqueles que apresentam mais riscos de desenvolver complicações pela gripe (sazonal ou suína). Isto não quer de modo algum dizer que estas pessoas obrigatoriamente terão complicações, ou que, quem não pertence ao grupo não corre nenhum risco. Estamos falando em probabilidades e não em certezas.
TRATAMENTO
Mais uma vez é importante ressaltar que na maioria das pessoas a gripe suína apresenta um quadro leve, semelhante a qualquer gripe, com resolução espontânea.
O tratamento com antivirais diminuiu a incidência de complicações e encurta o tempo de doença, favorecendo a quebra da cadeia de transmissão. A principal droga que tem sido usada é o oseltamivir (Tamiflu®). O medicamento funciona melhor se tomado nas primeiras 48h de sintomas.
ATENÇÃO, NÃO TOME MEDICAMENTOS POR CONTA PRÓPRIA. ENTRE EM CONTATO COM SEU MÉDICO ANTES DE COMEÇAR QUALQUER DROGA.
Não existem trabalhos que atestem a segurança do oseltamivir (Tamiflu®) em grávidas. Porém, devido ao maior número de complicação neste grupo, o CDC (Centers for Disease Control and Prevention) americano autoriza o uso do Tamiflu® em gestantes.
O oseltamivir (Tamiflu®) já há alguns anos é usado em casos de gripes comuns. Não é preciso a confirmação do H1N1 para se iniciar a droga. Basta a presença de sintomas de gripe (seja suína ou não).
Porém, o antiviral só está indicado em pacientes com sinais de gravidade ou que pertençam ao grupo de risco. Pessoas fora do grupo de risco e com sintomas leves não correm risco de morte e por isso não necessitam da droga.
A banalização do uso de oseltamivir (Tamiflu®) pode levar a um aumento da resistência do H1N1. Junte-se o fato da droga ter efeitos colaterias comuns, e pode-se entender porque ela não deve ser prescrita indiscriminadamente.
Já existe vacina contra o H1N1, porém, sua produção não é feita em larga escala pois os casos anteriores de gripe suína eram pouquíssimos e isolados. Deve demorar alguns meses até que se possa produzir quantidades suficientes de vacina para atender toda a população mundial.
Quem tomou a vacina contra gripe parece que já apresenta pelo menos uma imunização parcial, já que o H1N1 humano é semelhante a cepa suína. Quem já pegou gripe suína e se recuperou está imune.
O importante é não criar pânico na população. Até agora não há indícios de que a gripe suína seja mais grave do que as gripes comuns que todos nós temos.
Todas as atenções estão voltadas para se tentar evitar que o vírus circule na população. Primeiro porque quanto mais gente tiver e transmitir o vírus, maior será o número de óbitos. Uma doença com mortalidade baixa, quando atinge milhões de pessoas, causa um número alto de mortes. Segundo porque quanto mais o vírus circula, mais difícil é para idosos e pessoas com sistema imune fraco evitarem a contaminação.
Papel da imprensa
A atuação da mídia em todo mundo tem sido sensacionalista com destaque em primeira página para cada óbito que ocorre. Se resolvessem cobrir a gripe comum com a mesma intensidade, teriam manchete para o resto da vida.
No Brasil, a atuação da mídia já ultrapassou a barreira da irresponsabilidade. Infelizmente, a divulgação de dados incorretos e a falta de contextualização dos fatos têm levado a população a um estado de pânico desnecessário.
Todos os anos e em todos os países, milhares de pessoas morrem por complicações da gripe sazonal. Como a gripe suína é nada mais que uma gripe, era mais do que esperado que surgissem mortes decorrentes da contaminação de milhares de pessoas. Aliás, se a gripe comum fosse assim tão branda, faria sentido todos os países gastarem milhões de dólares em vacinas anualmente?07/08/2009
Situação no mundo: 162.380 casos notificados - 1.154 mortes (0,7%)
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